A Era do corretor FIGITAL

Por Daniel Barbizan

Durante muito tempo, o corretor de seguros construiu seu negócio essencialmente no relacionamento. Visitas, reuniões, indicações, telefone, café com clientes e uma agenda cheia de contatos eram algumas das principais ferramentas para conquistar e manter uma carteira.

E funcionou. Aliás, continua funcionando.

O que mudou foi o cliente.

Hoje, antes de responder uma mensagem, marcar uma reunião ou pedir uma cotação, muitas pessoas fazem algo muito simples, pesquisam quem está do outro lado.

Procuram no Google, entram no Instagram, assistem a alguns vídeos. Observam como aquele profissional se comunica e, mesmo sem perceber, começam a construir uma percepção sobre ele.

O relacionamento continua sendo fundamental no mercado de seguros. A diferença é que agora ele pode começar muito antes do primeiro aperto de mão.

É nesse cenário que surge o corretor FIGITAL: físico + digital.

Na minha visão, a tecnologia não diminui necessariamente a importância do corretor. Muito pelo contrário, ela aumenta a responsabilidade de demonstrar seu valor.

O consumidor tem mais informação, mais opções e mais ferramentas para comparar produtos. Ao mesmo tempo, seguros continuam sendo contratos que envolvem riscos, consultoria e cada vez mais um profissional que sabe o que está fazendo.

E é justamente nesse espaço que o corretor pode se tornar ainda mais relevante.

Só que existe uma diferença: não basta mais ser bom. É preciso que o mercado saiba que você é bom.

 

Você não precisa virar influenciador

Quando se fala sobre presença digital, muitos profissionais imediatamente imaginam que precisarãovirar influenciadores, gravar a própria rotina ou perseguir milhares de seguidores.

Só que não é nada disso, o corretor FIGITAL utiliza o digital como extensão daquilo que já faz no mundofísico.

Se todos os dias você explica para clientes que contratar determinada cobertura é importante, existeconteúdo ali.

Se você resolve um sinistro complexo, existe aprendizado ali.

Se responde dez vezes por semana a mesma dúvida, provavelmente existe uma oportunidade de transformar aquela resposta em conteúdo.

O conhecimento que antes ficava restrito a uma conversa entre corretor e cliente agora pode alcançar centenas ou milhares de pessoas.

Essa é uma das grandes mudanças.

O corretor deixou de ter apenas uma carteira. Ele também pode construir uma audiência e um posicionamento maior no mercado.

Quando alguém pensa em determinado risco, produto ou necessidade, qual profissional vem à cabeça?

Isso é posicionamento.

E posicionamento digital não é muito diferente do posicionamento construído durante décadas no mundo físico. A diferença é a escala.

 

Quanto mais digital, mais importante será o humano

Pode parecer contraditório, mas acredito que quanto mais tecnologia entrar no mercado segurador, mais valioso poderá se tornar o relacionamento humano.

Porque existem momentos em que o cliente não quer conversar com uma tela.

Quando uma empresa sofre um grande prejuízo, quando uma família perde seu patrimônio ou quando acontece um acidente grave, alguém precisa ajudar aquela pessoa a entender o que fazer.

É nesse momento que descobrimos que seguro não é apenas preço.

É confiança, e confiança continua sendo construída entre pessoas.

E existe ainda outra transformação acontecendo silenciosamente no nosso mercado.

Durante décadas, seguradoras precisaram falar com o consumidor praticamente sempre através dos grandes meios de comunicação.

Hoje, milhares de corretores possuem suas próprias audiências.

Um profissional pode explicar uma nova cobertura, comentar uma mudança do mercado ou traduzir uma condição complexa para milhares de pessoas utilizando apenas um celular.

Isso transforma o corretor também em um canal de comunicação.

E abre uma oportunidade enorme para todo o ecossistema segurador.

Seguradoras podem utilizar essas novas vozes, para aproximar o seguro da população.

Talvez tenhamos passado tempo demais falando sobre seguros entre pessoas que já trabalham com seguros. Agora precisamos falar mais com quem ainda não entende seguros.

 

O corretor do futuro continua sendo corretor

Eu não acredito em uma disputa entre o corretor tradicional e o corretor digital.

Acredito na combinação dos dois.

O profissional que construiu uma carteira durante 20 ou 30 anos possui algo extremamente valioso que é o relacionamento e a sua experiência.

O profissional que domina o digital possui outra vantagem, escala, distribuição e capacidade de comunicação.

Imagine juntar os dois.

Relacionamento com alcance.

Experiência com tecnologia.

Reputação com posicionamento.

Esse é o corretor FIGITAL.

Não aquele que abandona o café com o cliente para viver atrás de uma tela.

Nem aquele que ignora a transformação digital porque acredita que sua carteira atual será suficiente para sempre.

Mas aquele que entende que os dois mundos podem e devem trabalhar juntos.

Porque o futuro do mercado de seguros talvez não seja físico e nunca será 100% digital.

Mas será, FIGITAL.

Crédito foto:

Diego Frigo

Crédito texto:

Daniel Barbizan

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