A transformação do seguro de vida passa também pela forma como as seguradoras e profissionais da distribuição se relacionam. Em Porto Alegre, a Azos reuniu representantes do setor em 22 de setembro, em um encontro dedicado às mudanças do segmento e ao papel das parcerias nesse cenário.
O Rio Grande do Sul aparece como um dos focos da estratégia de expansão. Rafael Cló, CEO e um dos fundadores da empresa, destacou o crescimento registrado desde o início da operação, em 2020. Segundo ele, a companhia já ultrapassou a marca de 120 mil CPFs ativos e mais de 140 bilhões em capital segurado.
Apesar do avanço nacional, o executivo reconhece que a evolução no Estado ocorre em ritmo diferente de outras regiões. O objetivo consiste em assimilar as particularidades da região, fortalecendo a proximidade junto ao mercado corretor do Estado.
“O Rio Grande do Sul especificamente é uma região que temos um pouco de dificuldade de crescer. Olhamos para o trabalho que algumas seguradoras fazem aqui, é um trabalho louvável, que a gente respeita, mas queremos entender um pouco mais porque o mercado ainda não tem ganhado a tração que temos em outras regiões.”
O projeto da empresa surgiu ao constatar que a transformação tecnológica já havia alterado setores como bancos, investimentos, contabilidade e crédito, enquanto os seguros ainda apresentavam espaço significativo nesse sentido. Com base nessa análise, a tecnologia foi colocada na estratégia. O objetivo, porém, não é substituir a atuação comercial, mas diminuir a burocracia e simplificar passos da jornada do cliente.
“A gente construiu uma plataforma de tecnologia que funciona, a gente tem um aplicativo que a gente ainda quer fazer muita coisa e trazer muita coisa nova para facilitar o dia a dia do corretor.”
Um dos pontos citados por Cló é a aceitação. Pendências documentais podem atrasar ou até fazer uma oportunidade comercial ser perdida, segundo ele.
“Quem aqui gosta de pendência de documentação? Quem aqui já perdeu a venda por causa de pendência de documentação? A gente não gosta disso. A gente quer abranger a aceitação dos nossos produtos sempre de uma forma simplificada, de uma forma que faça sentido para o corretor, para ele conseguir vender mais e crescer o negócio dele.”
Quando a contratação marca o começo da relação contratual, o pagamento de um sinistro constitui o momento em que a proteção contratada se materializa. Nessa fase, a companhia identifica uma margem significativa para aperfeiçoamento. Enquanto comercializam apólices, oferecem uma promessa.
Segundo o executivo, uma equipe de tecnologia foi dedicada exclusivamente à evolução dessa jornada. A meta é levar ao pós-venda uma agilidade semelhante àquela buscada na emissão das apólices.
Outro tema apresentado no encontro foi o modelo de remuneração. A empresa trabalha com comissionamento vitalício recorrente de 25%, formato que, na avaliação de Cló, pode mudar a maneira de construir uma carteira de clientes.
“Eu, antes de ter trabalhado com seguros, não entendia o quanto que a receita recorrente é bonita. E você olha para as principais empresas do mundo hoje, elas são empresas que se sustentam com receita recorrente.”
O executivo comparou esse modelo a serviços de assinatura adotados por grandes empresas de tecnologia. No seguro de vida, a permanência dos segurados cria uma base que pode gerar remuneração ao longo do tempo.
“Eu aprendi isso trabalhando com seguros porque eu vi que crescer de uma forma alavancada era muito mais fácil com receita recorrente. Porque começa o mês, você já tem toda uma base de legado que vai se sustentar por um bom tempo, principalmente um produto com seguro de vida em que a retenção do cliente final é muito boa.”
Rafael Prandi, gerente Regional Sul da Azos, reforçou durante o encontro que a relação com os profissionais não se resume às ferramentas digitais. Atendimento e escuta também fazem parte da proposta apresentada.
“Porque a Azos sente o sucesso merecido. Acho que esse é o sentimento que a gente quer entregar e esse é o serviço que queremos entregar para vocês. Então, caso vocês não estejam se sentindo tratados como clientes, procurem a gente.”
Prandi ainda destacou a atuação da equipe responsável pelo atendimento ao consumidor, citando a velocidade das respostas como um dos pontos observados internamente.
“Eu tive a oportunidade de passar um dia inteiro num projeto piloto, então passei o dia inteiro com as meninas do atendimento, e é impressionante o trabalho que elas realizam, extremamente organizadas, rápidas. Então, através do WhatsApp, em menos de um minuto você vai estar em contato com uma pessoa que resolveu o teu problema.”
Outro projeto apresentado envolve a atualização da plataforma destinada aos sinistros. A ideia é permitir que o profissional acompanhe as etapas da solicitação sem depender exclusivamente de contatos com a equipe comercial.
“Documentação completa é necessária para que a gente dê de fato entrada nesta análise de sinistro. A gente recebe muitas vezes as documentações incompletas e isso vai impactar onde? No pagamento, então vai gerar pendência.”
Segundo ele, o portal já reúne a relação dos documentos necessários. Com a documentação completa, o prazo informado atualmente é de oito dias. O executivo também citou um caso em que um pagamento foi concluído em seis horas e uma avaliação de 4,6, em uma escala de cinco, feita por corretores sobre a jornada de sinistro.
O encontro também contou com uma homenagem a parceiros da companhia. Jocelito Garcia recebeu a distinção Bronze; Clube do Valor, Prata; e Triah e Musa Capital foram reconhecidas na categoria Ouro. Rafael Brugnera também foi destacado como partner.
Ao levar a discussão ao Rio Grande do Sul, a empresa sinaliza uma nova etapa de aproximação com os profissionais locais. A expansão regional passa por tecnologia, simplificação de processos e um modelo de remuneração recorrente, mas também por uma relação mais aberta com quem está diretamente envolvido na distribuição.
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