CJosias & Ferrer e CVG RS lançam cartilha de combate à violência contra a mulher

Material reúne informações para reconhecer diferentes formas de violência, conhecer direitos e buscar proteção

Informação também pode ser uma ferramenta de proteção. Com essa premissa, o escritório CJosias & Ferrer, em parceria com o Clube de Seguros de Vida e Benefícios do Rio Grande do Sul (CVG RS), lança uma cartilha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. O material busca facilitar o reconhecimento de situações de violência, apresentar direitos e indicar caminhos para quem precisa de ajuda.

A cartilha será distribuída na próxima quarta-feira (26), durante o Café do CVG RS, que terá como tema “CVG RS no combate ao feminicídio”. O encontro acontece às 9h, no Sindseg RS, em Porto Alegre, com palestra da Defensora Pública Bibiana Veríssimo Bernardes.

A iniciativa ocorre em um cenário que reforça a dimensão do problema. O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. No mesmo período, foram contabilizadas 4.189 tentativas de feminicídio.

Os dados também mostram que a violência fatal ocorre, em grande parte, dentro de casa. Entre os feminicídios registrados em 2025, 62,5% das vítimas foram mortas em suas residências. Em 60,9% dos casos, o autor era o parceiro íntimo e, em 18,9%, um ex-parceiro.

É nesse contexto que a cartilha busca atuar, sobretudo por meio da informação e da identificação dos primeiros sinais de violência. Com linguagem direta e acessível, a publicação parte do alerta de que nem toda violência deixa marcas no corpo e apresenta situações que podem envolver controle, ameaças, humilhações, isolamento, chantagens e restrições à autonomia.

Para Juliano Ferrer, advogado e sócio do CJosias & Ferrer, a iniciativa traduz o entendimento de que o enfrentamento à violência contra a mulher exige envolvimento coletivo. “O escritório entende que essa chaga social deve ser vencida com a ajuda de todos. É da cultura do escritório nos posicionarmos sobre temas relevantes e atuarmos, de forma prática, nas lutas por paz, justiça, equidade e tolerância”, afirma.

 

Reconhecer também é uma forma de proteção

Para Ferrer, ampliar o conhecimento sobre as diferentes manifestações da violência é fundamental para que tanto as vítimas quanto as pessoas ao seu redor consigam identificá-las. “A informação é uma das armas nessa batalha. Desmistificar atos violentos, nas mais diversas formas, é essencial para que as mulheres vítimas, e os que estão no entorno, identifiquem a violência”, destaca.

A publicação também explica como a violência doméstica pode se repetir em um ciclo marcado por tensão, agressão e uma posterior fase de conciliação ou “lua de mel”. Para o advogado, compreender essa dinâmica é fundamental não apenas para a vítima, mas também para quem está ao seu redor. “É importante que todos entendam que a violência não é normal e não pode ser aceita, desde a primeira vez que acontece. Os ciclos criam verdadeira prisão psicológica, e o apoio, o diálogo e o acolhimento das pessoas mais próximas são decisivos para a percepção e a consciência pela vítima daquilo que está sofrendo”, pontua.

 

Direitos e caminhos para buscar ajuda

Outro eixo da cartilha é apresentar mecanismos de proteção e mostrar que existem caminhos para procurar ajuda. O material reúne informações sobre medidas que podem ser adotadas para proteger mulheres em situação de violência e disponibiliza contatos de serviços de emergência, denúncia, orientação e acolhimento. “A legislação brasileira é moderna e avançada para conquistar essa proteção. E o aparato do Estado vem se aprimorando para que a lei se torne efetiva e eficaz. O importante é buscar ajuda e exigir seu direito”, afirma Ferrer.

Além de falar diretamente às mulheres, a publicação dedica espaço à rede de apoio. A orientação para quem conhece alguém em situação de violência é ouvir sem julgar, acreditar no relato, evitar pressionar por decisões imediatas e ajudar na busca pela rede de proteção.

Para Ferrer, empresas e entidades também precisam assumir um papel ativo nessa mobilização. “A luta precisa ser de todos. As empresas e entidades não podem se furtar de cumprir seu papel de conscientização e realizar ações práticas. Quanto maior o engajamento, mais cedo teremos esses números alarmantes de violência contra a mulher diminuídos e, tomara, um dia poderemos dizer que ganhamos essa guerra”, conclui.

A cartilha reforça, ao final, uma mensagem que sintetiza a proposta da iniciativa: “Você não está sozinha. Buscar ajuda é um ato de coragem.”

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Divulgação CJosias & Ferrer

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Júlia Senna

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