Cooperativismo ganha força na ampliação da proteção securitária no Brasil

Painel do 3º Fórum IRB(P&D) reúne representantes da Sicoob Seguradora, Sicredi e Cresol MT

A baixa cobertura do mercado de seguros no agronegócio brasileiro foi o ponto de partida do primeiro painel do 3º Fórum IRB(P&D), que foi realizado nesta quarta-feira (26/08), no Maravalley, no Rio de Janeiro. A mesa contou com a participação de Marcelo Carneiro, diretor da Sicoob Seguradora; Jeferson Betemps, gerente de Produtos e Serviços do Sicredi; e Ricardo Balbinot, presidente do Conselho de Administração da Cresol MT. A moderação foi de Glaucio Toyama, diretor do Hub Agro do IRB(Re).

Intitulado “O papel do cooperativismo para reduzir o gap de proteção no Brasil”, o painel destacou o potencial da rede cooperativista para aproximar o seguro de públicos que ainda têm pouco acesso à proteção financeira. Os desafios da área também estiveram no centro do debate. Entre eles, emergências climáticas, elevados índices de inadimplência nas operações de crédito e a tramitação do PL 2951, projeto de lei que atualiza e reformula o marco legal do seguro rural no Brasil.

Com relação a esse último tópico, Marcelo Carneiro falou sobre a importância do mercado privado e das cooperativas na busca por soluções, mas destacou a importância da criação de políticas públicas. “Não tem nenhum país do mundo onde políticas públicas não ajudem a produção rural. Se o país é relevante e produz, tem apoio, porque são muitos riscos. E se acharmos uma forma de endereçar isso melhor, talvez na linha de permitir ou facilitar o processo da universalização, ainda que tenha taxas adequadas para aquele risco, talvez a gente consiga mudar um pouco esse gap,” afirmou o diretor da Sicoob.

Outro ponto abordado foram os obstáculos que ainda limitam a expansão dos seguros rurais dentro das operações das cooperativas. Segundo Toyama, a questão vai além das dificuldades relacionadas à subvenção do prêmio do seguro e envolve aspectos estruturais do mercado, além de uma análise a partir da experiência e das necessidades do sistema cooperativo.

Nesse sentido, Ricardo Balbinot enfatizou as exigências e as inovações que estão sendo demandadas pelos cooperados e que poderiam ser trabalhadas pelo setor: “Um grande desafio hoje é poder contemplar esse universo que vai daquele pequeno produtor de quatro hectares, que está vendendo hortifruti, ao grande produtor de commodities, que vai ter exportação, muitas das vezes já com a comercialização pré-vendida, contratos em dólar. Então, a cooperativa acaba atuando nas duas cadeias”, exemplificou.

Os efeitos dos eventos climáticos sobre as operações de crédito realizadas pelas cooperativas e as oportunidades que podem surgir também foram abordadas, discutindo alternativas capazes de aproximar a oferta de produtos securitários das demandas de produtores e cooperados, fortalecendo a proteção financeira diante dos riscos do setor e contribuindo para uma nova etapa de desenvolvimento do seguro rural no Brasil. “Podemos pensar em coisas novas, em soluções diferentes para darmos essa virada de página, para tentarmos encontrar uma forma que pudesse dar tranquilidade para todo o ecossistema do agronegócio, que não só o produtor fique com a conta de pagar o preço de seguro para proteger uma operação de crédito, uma operação comercial, uma operação de compra de insumos e tudo mais”, sugeriu Jeferson Betemps.

Painéis e palestras do 3º Fórum IRB(Re) trouxeram à tona diferentes desafios, oportunidades, cenários e atores do mercado segurador e ressegurador do país. O Fórum conta com o apoio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e do Instituto IRB. A cobertura completa pode ser vista no site e nas redes sociais da companhia.

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