A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) apresentou as estratégias e os avanços do mercado segurador brasileiro na prevenção e no combate à fraude durante o Global Insurance Fraud Summit 2026, realizado na Cidade do Panamá. A Federação foi representada por Fabio Korb, presidente da Comissão de Prevenção e Combate à Fraude da FenSeg e da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), e por Júlio Mendes, também integrante da Comissão.
Realizado em outubro, o encontro reuniu especialistas e representantes de diferentes países para compartilhar experiências, apresentar casos concretos de investigação e fortalecer a cooperação internacional. “Em sua apresentação, intitulada Brazil Insurance Market Model to Combat and Avoid Fraud (Modelo do Mercado Segurador Brasileiro para Prevenir e Combater Fraudes), Korb detalhou a estrutura de atuação do setor no Brasil, as ferramentas tecnológicas utilizadas para identificar irregularidades e os resultados obtidos por meio do compartilhamento de informações e da colaboração com autoridades públicas.
Segundo os dados apresentados no evento, as fraudes comprovadas no mercado segurador brasileiro somaram R$ 1,3 bilhão em 2025, crescimento de 18,2% em relação ao ano anterior. O levantamento também apontou R$ 4,29 bilhões em ocorrências investigadas no período, evidenciando a dimensão do desafio enfrentado pelo setor.
“Foi uma grande honra representar o mercado segurador brasileiro nesse encontro global. Compartilhar nossas melhores práticas com especialistas de países como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Austrália nos permitiu avaliar o quanto estamos alinhados com o que vem sendo desenvolvido em outros mercados”, afirma Korb.
Tecnologia e cooperação contra as fraudes
Durante sua participação, o presidente da Comissão da FenSeg apresentou iniciativas brasileiras que combinam inteligência de dados, ferramentas digitais e atuação integrada na identificação de esquemas fraudulentos.
Entre os recursos destacados estão o uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina para identificar padrões suspeitos, sistemas de geolocalização para verificar inconsistências em ocorrências, reconhecimento biométrico para prevenir fraudes de identidade e tecnologias de análise documental capazes de detectar adulterações e falsificações.
Korb também apresentou casos concretos de investigações realizadas no Brasil, demonstrando como a integração de informações e a colaboração com órgãos de segurança pública contribuem para identificar organizações criminosas e interromper práticas fraudulentas.
Um dos exemplos envolveu um esquema de cobranças por serviços de assistência 24 horas que não haviam sido efetivamente prestados. A investigação analisou 250 atendimentos e identificou 22 ocorrências fraudulentas, com prejuízo estimado em R$ 1,08 milhão. O trabalho resultou em condenações criminais e no aprofundamento das investigações sobre a atuação dos envolvidos.
Outro caso apresentado tratou da identificação de uma rede organizada de fraudes em seguros de automóveis na região metropolitana de São Paulo. O cruzamento de informações permitiu identificar conexões entre diferentes ocorrências, pessoas e veículos, demonstrando a importância da inteligência compartilhada para revelar esquemas que dificilmente seriam percebidos por meio de análises isoladas.
Três prioridades para avançar
Na avaliação de Korb, as discussões realizadas no Panamá reforçaram três prioridades que já orientam os esforços do mercado brasileiro: ampliar o compartilhamento de dados, fortalecer as parcerias entre os setores público e privado e acelerar a utilização da inteligência artificial nas estratégias de prevenção e investigação.
“Esses são os três grandes aprendizados que trazemos do encontro e que coincidem com as frentes nas quais temos buscado avançar no Brasil. Já fizemos progressos importantes, mas ainda existe um enorme potencial de evolução, especialmente na integração de informações e no uso de novas tecnologias”, destaca.
Outro tema que ganhou relevância nas discussões foi o avanço dos crimes transnacionais, que envolvem organizações criminosas com atuação em diferentes países. Segundo Korb, a preocupação já mobiliza iniciativas de cooperação na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda recebe atenção insuficiente no debate brasileiro.
“O Brasil possui dimensões continentais, faz fronteira com dez países e é a maior economia da região. Precisamos ampliar o debate sobre os crimes transnacionais e fortalecer a cooperação com outros países para enfrentar organizações que atuam além das nossas fronteiras”, ressalta.
Para o presidente da Comissão da FenSeg, a participação no encontro também abriu oportunidades para aprofundar o intercâmbio de experiências e ampliar a articulação internacional no combate às fraudes.
“A troca de conhecimentos mostrou que estamos no caminho certo, mas também deixou claro que podemos avançar muito mais. O enfrentamento das fraudes exige colaboração permanente, inteligência e capacidade de antecipar novas modalidades de atuação criminosa”, conclui.
A próxima edição do Global Insurance Fraud Summit está prevista para ocorrer entre 13 e 15 de outubro de 2027, em Casablanca, no Marrocos. Até lá, a expectativa é de continuidade das iniciativas de intercâmbio e cooperação entre os participantes, incluindo possíveis aproximações com instituições brasileiras para discutir o enfrentamento dos crimes transnacionais.
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