FF Seguros no Seguro Sem Mistério: o poder das pessoas na transformação do mercado de seguros

Corretora de seguros, liderança e cultura organizacional se encontram numa conversa que coloca o humano no centro da estratégia.

Em mais um episódio do programa Seguro Sem Mistério, gravado na temporada especial em São Paulo, Júlia Senna, CEO do JRS, recebeu Isabel Alves Azevedo, Diretora de Pessoas e Transformação da FF Seguros, empresa do grupo canadense Fairfax Financial Holdings. A conversa foi fundo num tema muitas vezes subestimado nas discussões sobre tecnologia e crescimento: pessoas.

De engenharia de produção à gestão de pessoas

A trajetória de Isabel é marcada por uma transição corajosa. Gaúcha de São Leopoldo, ela iniciou sua carreira na área de engenharia e qualidade, com passagem por multinacional do setor agrícola e profundo domínio de ferramentas como Six Sigma e 5S, antes de encontrar, por volta de 2002, sua verdadeira vocação na gestão de pessoas. “A engenharia me deixou um legado enorme de visão sistêmica e obtenção de resultados. Mas o que sempre me chamou atenção foi o quanto é importante administrar conflitos e cultivar empatia dentro de uma organização“, conta.

Hoje, Isabel acumula especializações em dinâmica de grupo, psicanálise de grupos e um MBA executivo, além de experiências em seguradoras de saúde, consultorias e corretoras, um percurso que a levou à cadeira de executiva de gestão de pessoas da FF Seguros.

Cultura não é quadro na parede

Um dos pilares da conversa foi a importância da cultura organizacional e Isabel foi direta: cultura é para todos, independente do tamanho da empresa. “Aquilo que você permite, você promove. Então qual é o valor que você vai de fato promover?“, questiona.

Para os corretores que buscam implementar uma cultura sólida em suas empresas, o conselho é começar pelos valores. “Desde o primeiro dia de um empreendimento, traga os valores para a mesa. O maior sucesso que uma companhia pode ter é quando ela toma decisões baseadas em valores e não só nos financeiros.”

Isabel também destacou que cultura não se constrói no curto prazo. É uma jornada de médio e longo prazo, cultivada diariamente nas relações, nos acordos e, principalmente, no que se coloca em prática, não apenas no discurso.

Sentimento de dono e pertencimento

Outro tema central foi o senso de dono. Para Isabel, despertar esse sentimento nos colaboradores passa por uma combinação de pertencimento, reconhecimento e clareza sobre os acordos. “Quando a gente consegue trazer o sentimento de que todos vamos ganhar juntos, conseguimos trabalhar mais essa vibração de senso de dono“, explica.

Ela reforça que reconhecimento não é apenas financeiro. “As pessoas sentem muita falta de ser reconhecidas. O que eu vou propor como pertencimento? Como farei ele sentir que esse projeto é nosso?

Confiança como ativo invisível

Em um de seus artigos, Isabel defende que confiança é o ativo invisível que sustenta o futuro e no programa ela aprofundou essa tese. “Onde não houver confiança entre as partes, não há progresso. Sucesso sem confiança é passageiro“, afirma.

Para ela, construir confiança exige autoconhecimento, comunicação empática e consistência entre discurso e prática. “Não faça para o outro o que você não gostaria que fizesse para você. Isso também é trabalhar confiança.”

Mulheres no mercado de seguros

Isabel reconhece os avanços, mas aponta que ainda há muito a fazer. Dados da Escola de Negócios e Seguros mostram que mulheres são 56% do setor, mas ainda são minoria nos cargos de liderança.

Não basta a mulher querer. É sobre como desenhamos esse caminho ao lado dela. Precisamos introduzir a economia do cuidado, olhar para o que é invisível, para aquela mãe que lidera pautas complexas em casa e no trabalho“, defende. Para Isabel, sororidade e escuta ativa são os caminhos para acelerar essa transformação.

O humano no centro da transformação

Ao final do episódio, Isabel deixou uma mensagem ao mercado de seguros que resume bem toda a conversa: no meio de tantas transformações tecnológicas e da inteligência artificial, nunca abandone as relações humanas. “Tudo que foi criado foi criado por pessoas. Permaneçam investindo em relações, em autocuidado e no comportamento humano porque é o comportamento o vetor de todas as transformações mundiais.”

Crédito foto:

Filipe Tedesco

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Helena Toniolo

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