Perder um familiar é, por si só, um momento difícil da vida. Mas, para milhares de brasileiros, o luto vem acompanhado de uma segunda preocupação: encontrar recursos para custear impostos, honorários advocatícios e despesas do inventário. Com a Reforma Tributária tornando as alíquotas sobre heranças progressivas a partir de 2026 e o número de inventários em alta no país, especialistas alertam para a importância do planejamento patrimonial e da liquidez financeira para evitar que famílias precisem vender bens ou assumir dívidas em um momento de fragilidade emocional.
O tema ganha relevância em um momento em que o número de inventários segue em crescimento no país. Entre 2020 e 2024, os inventários realizados em cartório aumentaram 49,7%, passando de 165 mil para 247 mil escrituras anuais, segundo dados do Colégio Notarial do Brasil. Apenas no primeiro semestre de 2025, mais de 54 mil inventários foram registrados no estado de São Paulo, indicando uma demanda crescente por planejamento sucessório.
Ao mesmo tempo, mudanças trazidas pela Reforma Tributária devem tornar esse debate ainda mais presente. A Emenda Constitucional nº 132/2023 determinou que todos os estados brasileiros adotem alíquotas progressivas para o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) a partir de 2026. Na prática, patrimônios de maior valor poderão enfrentar uma carga tributária mais elevada, ampliando a importância do planejamento financeiro para famílias que desejam preservar patrimônio ao longo das gerações.
Nesse contexto, o seguro de vida tem ganhado espaço como uma ferramenta complementar de planejamento sucessório. Diferentemente dos bens que compõem a herança, a indenização securitária não integra o inventário e pode ser disponibilizada diretamente aos beneficiários após a análise da documentação exigida, oferecendo uma fonte de recursos para despesas emergenciais e custos relacionados ao processo sucessório.
Na Azos, insurtech especializada em seguro de vida, a discussão sobre proteção financeira e sucessão patrimonial vem ganhando espaço entre clientes e corretores. Desde sua fundação, a companhia mantém mais de 100 mil apólices ativas, que representam mais de R$110 bilhões em capital segurado.
“Quando falamos de sucessão, a maioria das pessoas pensa apenas na divisão dos bens. Mas existe uma etapa anterior, que é garantir que a família tenha recursos para atravessar esse período sem precisar tomar decisões precipitadas. Temos percebido um interesse crescente dos brasileiros por temas ligados a planejamento patrimonial e proteção financeira, especialmente entre pessoas que já acumularam patrimônio ou possuem dependentes. O seguro de vida não substitui o planejamento sucessório, mas pode oferecer liquidez imediata justamente quando ela é mais necessária“, afirma Rafael Cló, CEO da Azos.
A percepção também aparece no mercado. Segundo dados da Fenaprevi, os seguros de pessoas cresceram 10% no primeiro trimestre de 2026, movimentando R$20,3 bilhões em prêmios, cerca de R$2 bilhões a mais do que no mesmo período do ano anterior.
“O planejamento sucessório não é um tema restrito a famílias de altíssima renda. Qualquer pessoa que tenha dependentes financeiros, patrimônio acumulado ou queira reduzir impactos para seus familiares pode se beneficiar de uma estratégia que combine organização patrimonial e proteção financeira. Quanto antes essa conversa acontece, maiores são as alternativas disponíveis”, conclui Cló.
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