PROAUTO se destaca em debate sobre nova regulação da proteção patrimonial

Rafael Torquetti analisa impactos e alerta para riscos ao modelo mutualista

Realizada nesta quarta-feira (29), às 9h, a 2ª Palestra do Ciclo Atualizações Regulatórias em Seguro e Resseguro 2026 reuniu especialistas para discutir os impactos das novas regras sobre o setor. O encontro, promovido pela Escola de Negócios e Seguros ENS, ocorreu em formato híbrido, no auditório da instituição, em São Paulo.

Entre os participantes, esteve o CEO da PROAUTO, Rafael Torquetti, especialista em gestão e compliance, que levou ao debate a visão das associações de proteção patrimonial mutualista diante das mudanças trazidas pela Lei Complementar nº 213/2025 e pela Lei nº 15.040/2024, a Nova Lei do Contrato de Seguro.

A palestra foi conduzida por Renata Furtado, advogada especialista em Direito Regulatório e presidente do Grupo Nacional de Trabalho de Regulatório e Compliance da AIDA Brasil, e contou ainda com a participação de Bruno, atuário especialista em modelagem de riscos e precificação, e Hugo, especialista em cooperativismo e estruturação de cooperativas de seguros.

Durante sua participação, Rafael Torquetti afirmou que a regulamentação do setor era uma demanda histórica das associações, mas fez um alerta sobre os efeitos do modelo que vem sendo estruturado, especialmente no campo infralegal.

A regulamentação sempre foi um desejo do setor. A grande preocupação agora é o produto resultante desse processo. Precisamos garantir que ele continue fazendo sentido e mantendo o apelo social que tem hoje”, afirmou.

Segundo ele, o cenário atual exige uma mudança estrutural no segmento. “A associação nasce como uma resposta social: resolve primeiro o problema e depois se organiza. Agora, existe a necessidade de reorganização dentro de um ambiente regulado, com uma carga de governança inédita.

Torquetti também chamou atenção para o papel das associações na ampliação do acesso à proteção no Brasil. “Há décadas se fala que cerca de 70% da frota brasileira está desprotegida. A associação atende justamente esse público. Existe uma oportunidade real de expansão, desde que o modelo regulatório permita.

Ao abordar a preparação da PROAUTO o CEO ressaltou a antecipação às exigências. “Nosso dever de casa é garantir que a instituição esteja pronta para qualquer cenário. Já operamos com práticas alinhadas à Lei 15.040, com governança estruturada e indenizações em prazos compatíveis com o mercado segurador.

Ele também enfatizou os investimentos internos realizados pela empresa. “Desenvolvemos sistema próprio, estruturamos governança de dados e capacitamos 100% dos colaboradores e da rede comercial. Isso nos coloca em uma posição mais preparada para essa transição.

Outro ponto levantado foi o risco de descaracterização do modelo. “Se o custo final se aproximar ou superar o de um seguro tradicional, o produto perde o sentido e deixa de atender quem hoje consegue acesso por meio das associações.”

Torquetti ainda alertou para possíveis impactos estruturais no setor. “Existe o risco de concentração de mercado e de exclusão de associações menores, não por falta de intenção, mas por falta de estrutura para atender às novas exigências.

Apesar dos desafios, ele apontou oportunidades. “Esse movimento pode ampliar o alcance da proteção no Brasil, incorporar mais pessoas ao sistema e fortalecer práticas de governança e transparência.”

O debate contou com contribuições relevantes dos especialistas, com destaque para a análise técnica de Bruno e a abordagem sobre cooperativas apresentada por Hugo.

Bruno explicou as diferenças atuariais entre os modelos. “No seguro, o risco é futuro e o prêmio é fixo, com base em modelos preditivos e reservas técnicas. Já na mutualidade, o risco é decorrido e depende do rateio contínuo, o que exige acompanhamento constante e maior maturidade técnica.

Hugo abordou o modelo das cooperativas de seguro e seus desafios. “O cooperado também é dono do negócio, o que exige uma governança bem estruturada, especialmente em situações como negativa de sinistro.”

Renata Furtado reforçou a necessidade de clareza jurídica. “Na proteção patrimonial mutualista, é essencial deixar explícito que não se trata de seguro. A transparência é fundamental para a confiança do participante.

O encontro evidenciou um setor em transformação, marcado por novas exigências regulatórias, maior complexidade operacional e, ao mesmo tempo, oportunidades de ampliar o acesso à proteção no país.

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