O avanço das locações por temporada no Brasil tem ampliado a atenção dos proprietários em relação à proteção patrimonial dos imóveis. Impulsionado por feriados prolongados, turismo aquecido e digitalização das plataformas de intermediação, esse modelo de hospedagem ganha espaço e, com ele, surgem novos riscos que nem sempre são considerados no momento da locação.
Para Arilton Viana, especialista da Pansera Corretora, o crescimento desse tipo de aluguel exige uma mudança de postura por parte dos proprietários. “Muitos ainda enxergam a locação por temporada como uma extensão do uso residencial comum, mas, na prática, há uma rotatividade muito maior de pessoas, o que aumenta a exposição a danos, furtos e até problemas estruturais no imóvel”, afirma.
Segundo ele, o cenário se intensifica em períodos de maior circulação, como feriados prolongados e temporadas de férias, quando a ocupação tende a crescer e o fluxo de hóspedes se torna mais intenso. “Esse aumento na utilização eleva o risco de sinistros, especialmente quando não há um controle rígido sobre o uso da propriedade”, explica.
Entre as ocorrências mais comuns estão danos a móveis e eletrodomésticos, problemas elétricos, pequenos incêndios e até prejuízos causados por uso inadequado das instalações. Há também situações envolvendo responsabilidade civil, quando terceiros são afetados durante a estadia.
“É importante que o proprietário entenda que o risco não está apenas dentro do imóvel, mas também nas consequências de um eventual incidente. Um acidente com um hóspede, por exemplo, pode gerar custos significativos”, destaca Viana.
Nesse contexto, o seguro residencial passa a ganhar relevância como instrumento de proteção. No entanto, o especialista alerta que nem todas as apólices tradicionais contemplam esse tipo de uso. Além da contratação adequada, outras medidas ajudam a reduzir riscos, como a definição de regras claras de uso, vistoria antes e depois das estadias e manutenção preventiva.
Para o especialista, o movimento indica uma mudança no perfil do proprietário, que passa a encarar o imóvel também como um ativo gerador de renda. “Quando há exploração econômica, a gestão de risco precisa acompanhar esse movimento. Não se trata apenas de disponibilizar o imóvel, mas de garantir que ele esteja protegido diante das diferentes situações que possam ocorrer”, conclui.
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