Seguro de frota exige personalização para acompanhar diferentes perfis de operação

Variáveis como rota, tipo de carga e quilometragem influenciam diretamente o risco e demandam soluções sob medida
Jairo Brandeburski, CEO da Pansera Corretora de Seguros.

 

O setor de logística demanda soluções sob medida que superam pacotes prontos de proteção. A necessidade surge de variáveis críticas que influenciam o risco operacional e financeiro do transporte. Rotas, tipo de carga e perfil de uso moldam o desenho técnico da cobertura ideal.

Ao contrário dos seguros individuais, o seguro de frota não é um produto padronizado. Cada operação possui características próprias, que precisam ser analisadas de forma técnica para evitar lacunas de proteção.

Segundo especialistas do setor, empresas que mantêm programas de seguros genéricos correm o risco de enfrentar prejuízos relevantes em caso de sinistro, especialmente quando há incompatibilidade entre a apólice contratada e a realidade da operação.

 

Leitura detalhada

Entre os principais fatores que influenciam estão a região de circulação, o tipo de mercadoria transportada e a quilometragem percorrida. Frotas que operam em áreas urbanas densas, por exemplo, estão mais expostas a colisões e pequenos danos. Já operações rodoviárias de longa distância enfrentam maior exposição a roubos de carga e eventos de maior severidade.

O tipo de carga também é determinante. Produtos de alto valor agregado ou com maior liquidez no mercado paralelo tendem a aumentar o risco de roubo, exigindo coberturas específicas e, muitas vezes, medidas adicionais de gerenciamento de risco.

Cada frota tem uma dinâmica própria. Não dá para olhar apenas para o número de veículos. É preciso entender como, onde e para quê esses veículos operam”, afirma Jairo Brandeburski, CEO da Pansera Corretora de Seguros.

 

Personalização reduz exposição e melhora eficiência

A personalização do seguro permite alinhar a cobertura à realidade da empresa, evitando tanto a subproteção quanto a contratação excessiva de garantias que não agregam valor à operação. Isso envolve desde a definição adequada de coberturas e limites até a análise de franquias, cláusulas específicas e serviços agregados, como assistência e monitoramento.

Quando a apólice não acompanha a operação, o problema aparece no momento crítico, que é o sinistro. E aí não há muito espaço para correção”, explica Brandeburski.

Além da proteção financeira, um programa de seguros bem estruturado contribui para a continuidade do negócio, reduzindo impactos operacionais e garantindo maior previsibilidade.

 

Integração com gestão de risco

Outro movimento observado no mercado é a integração entre apólice e gestão. Tecnologias como telemetria, rastreamento e análise de dados têm sido incorporadas para melhorar a precificação e ampliar a capacidade de prevenção.

Empresas que investem nessa abordagem tendem a obter condições mais competitivas e maior aderência das coberturas.

O seguro não deve ser visto de forma isolada. Ele faz parte de uma estratégia maior de gestão de risco. Quanto mais informação e controle a empresa tiver sobre a operação, mais eficiente será a proteção”, destaca o executivo.

 

Corretor assume papel consultivo

Nesse contexto, o papel do corretor ganha ainda mais relevância. Mais do que intermediar a contratação, o profissional passa a atuar de forma consultiva, ajudando na leitura de risco e na construção de soluções adequadas para cada cliente.

Hoje, o corretor precisa entender o negócio do cliente. Não é só vender seguro, é estruturar proteção de acordo com a realidade da operação”, afirma Brandeburski.

 

Tendência de mercado

O setor caminha rumo ao uso de dados e inovação tecnológica. A evolução privilegia modelos exclusivos que superam a rigidez das apólices tradicionais. Esse ambiente de alta complexidade operacional exige respostas específicas e precisas. Padrões genéricos perdem relevância perante soluções moldadas conforme a demanda real de cada empresa.

Para as empresas, isso significa um ponto de atenção estratégico: revisar periodicamente suas apólices e garantir que a cobertura acompanhe a evolução da operação.

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Fernanda Torres

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