Por décadas, contratar um seguro de vida significava enfrentar formulários extensos, análises demoradas e, em muitos casos, a necessidade de exames complementares antes da aprovação da proposta. Hoje, isso muda com o avanço da inteligência artificial e dos modelos automatizados de subscrição.
A tecnologia está transformando a avaliação de risco. O que antes podia levar semanas agora pode ser concluído em poucos segundos, sem abrir mão da segurança e da precisão das análises. Na visão de André Calazans, diretor de Seguros e Subscrição da Azos, a mudança vai além da velocidade.
“A inteligência artificial permite analisar mais informações em menos tempo, tornando a avaliação de risco rápida e precisa. Os modelos atuais conseguem processar e cruzar centenas de variáveis em segundos, algo que seria impossível em uma análise humana convencional.“
Modelos preditivos e seus impactos
Nos modelos tradicionais, a análise de uma proposta de seguro de vida era baseada principalmente em regras fixas e processos manuais. A capacidade de avaliação dependia diretamente da interpretação humana e do tempo disponível para examinar cada caso.
Com o avanço do machine learning e dos modelos preditivos, a lógica passou a ser diferente. “Os algoritmos aprendem continuamente com novos dados, identificam padrões antes praticamente invisíveis e ajustam previsões de forma muito mais rápida do que qualquer modelo estático conseguiria“, explica Calazans.
O desfecho consiste em uma avaliação apurada, apta na precificação dos riscos, elevar a eficiência operacional e auxiliar na prevenção de fraudes.
Na Azos, esse processo é conduzido pelo FRED, algoritmo proprietário desenvolvido para apoiar a subscrição das apólices.
“Ele consegue avaliar centenas de variáveis em poucos segundos, tomar decisão para emissão de parte das apólices de forma autônoma e direcionar com assertividade os casos que precisam de análise manual.“
O que os algoritmos conseguem enxergar
Mais do que ampliar a quantidade de informações avaliadas, a inteligência artificial mudou a forma como os dados são interpretados. Segundo Calazans, o principal avanço está na capacidade de identificar relações entre diferentes variáveis simultaneamente.
“A principal mudança não está apenas nos dados analisados, mas na capacidade de cruzar um grande volume de informações ao mesmo tempo. Os algoritmos conseguem identificar relações e padrões que seriam difíceis de perceber em uma análise manual.“
Essa capacidade permite decisões mais consistentes e precisas, sempre observando critérios regulatórios e as exigências de privacidade previstas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
De duas semanas para 30 segundos
A velocidade é uma das mudanças mais perceptíveis para quem contrata um seguro de vida.
Tradicionalmente, uma análise podia levar entre sete e quinze dias, especialmente quando havia necessidade de avaliações complementares ou exames médicos.
“Era um processo lento, manual e com muitos pontos de fricção“, lembra o executivo.
Desde a sua fundação, a Azos fixou o objetivo de realizar a emissão de apólices em apenas um dia, marca que já a posicionava de forma distinta no setor. Com a consolidação do FRED, esse patamar de eficiência foi superado.
“Hoje, uma parcela das propostas é processada e a apólice é emitida em até 30 segundos, de forma totalmente automatizada, sem intervenção humana.“
Os casos complexos continuam sendo analisados por especialistas da área de subscrição, mas mesmo nessas situações os prazos diminuíram significativamente. “Atualmente, 95% desses casos são concluídos em até 24 horas.“
Além de acelerar processos, a digitalização também pode contribuir para ampliar o acesso ao seguro de vida no país, segmento que ainda possui baixa penetração quando comparado a mercados desenvolvidos.
Na avaliação do executivo, uma experiência simples e transparente tende a estimular a adesão ao produto. “Quanto mais simples, sem fricção e transparente for a experiência, maior tende a ser a adesão das pessoas ao seguro de vida. No longo prazo, isso expande o mercado e beneficia toda a cadeia.”
O papel das insurtechs na transformação do setor
O movimento tem ganhado impulso graças às insurtechs, empresas que surgiram para trazer tecnologia a problemas antigos do setor de seguros.
Segundo Calazans, essas companhias exercem um papel importante na modernização do setor. “As insurtechs nascem com a tecnologia no centro da operação. Isso permite desenvolver soluções mais ágeis, testar novos modelos e responder mais rapidamente às mudanças de comportamento dos consumidores.”
A transformação digital não busca substituir os modelos tradicionais, mas elevar o padrão de experiência oferecido ao mercado. “Quando o corretor vê uma proposta aprovada em segundos e o cliente recebe uma apólice sem precisar passar por um processo burocrático de dias, isso muda a percepção sobre o produto e abre espaço às pessoas que buscam proteção financeira.“
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