Seguro para carro de aplicativo é mais caro? Entenda custos e o que muda

Uso em aplicativos pode triplicar o valor do seguro, reduzir opções de seguradoras e exige atenção total às coberturas para evitar prejuízos e negativa de indenização

O seguro para motoristas de aplicativo, como Uber e 99, parte do mesmo princípio de qualquer apólice automotiva, mas, na prática, funciona de maneira muito diferente. Embora o contrato seja baseado na boa-fé entre segurado e seguradora, com obrigações claras de ambas as partes, o uso profissional do veículo altera completamente o nível de risco envolvido. Isso afeta diretamente o preço, o tipo de cobertura e até a quantidade de seguradoras dispostas a aceitar esse perfil de cliente.

Segundo análise de Denis Castanheira, da Enjoy Corretora de Seguros, o ponto central está na transparência das informações. O segurado precisa declarar corretamente como o carro será utilizado e manter o pagamento do prêmio em dia. Caso uma dessas condições não seja cumprida, a consequência pode ser a perda do direito à indenização. Na prática, isso significa que utilizar o veículo para transporte de passageiros sem informar a seguradora não é apenas uma irregularidade contratual, como também um risco financeiro relevante.

 

Menos seguradoras aceitam e o custo sobe

Um dos efeitos mais importantes do uso em aplicativo é a redução no número de seguradoras que aceitam esse tipo de apólice. No uso particular, o mercado é amplo, com diversas companhias disputando clientes e oferecendo diferentes condições. Já no transporte de passageiros, parte dessas empresas opta por não assumir o risco, o que diminui a concorrência e, consequentemente, eleva os preços.

Essa restrição está diretamente ligada ao perfil de uso. Um carro de aplicativo roda mais horas por dia, circula em regiões variadas e enfrenta maior exposição a acidentes. Além disso, estatisticamente, as colisões de pequena e média monta são mais frequentes nesse tipo de operação, o que aumenta o custo para as seguradoras. Com menos empresas dispostas a oferecer cobertura, o motorista fica com menos opções e menor poder de negociação.

Um exemplo real ajuda a dimensionar esse cenário. Em uma cotação para um Renault Kwid 2025/2026, com o mesmo perfil de condutor, o uso particular resultou em propostas de 16 seguradoras, com preços variando entre cerca de R$ 1.735 e R$ 4.944 . Quando o uso para aplicativo é considerado, além da redução no número de propostas, os valores sobem para uma faixa entre aproximadamente R$ 4.090 e R$ 5.414 . Isso evidencia que o seguro pode custar de duas a três vezes mais, refletindo diretamente o aumento da exposição ao risco.

Tabela do site AutoEsporte

 

O risco de omitir o uso do veículo

Diante dessa diferença de preço, alguns motoristas consideram contratar o seguro como uso particular para economizar. Essa prática, porém, pode trazer consequências graves. Em caso de sinistro, a seguradora pode analisar as circunstâncias do ocorrido e, ao identificar que o veículo estava sendo utilizado para transporte de passageiros sem declaração prévia, negar a indenização.

Esse tipo de negativa não se limita ao não pagamento do sinistro. O segurado também perde os valores já pagos pela apólice, o que transforma uma tentativa de economia em prejuízo financeiro. Por isso, a recomendação dos especialistas é clara: todas as informações devem ser prestadas de forma precisa no momento da contratação.

 

Seguros mais baratos exigem atenção

Outro ponto que merece atenção é a existência de seguros com preços aparentemente mais baixos voltados para motoristas de aplicativo. Em muitos casos, esses valores reduzidos estão associados a coberturas limitadas, que deixam de fora justamente os riscos mais comuns do dia a dia.

As colisões de pequena e média monta representam a maior parte dos sinistros, mas algumas apólices excluem a cobertura para perda parcial, mantendo apenas proteção para roubo, furto, incêndio e perda total. Essa configuração reduz o preço, mas também diminui significativamente a efetividade do seguro. Na prática, o motorista pode continuar exposto ao tipo de prejuízo mais provável.

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Iago Garcia/AutoEsporte

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