O seguro residencial ainda ocupa um espaço menor do que deveria no planejamento financeiro das famílias brasileiras. A moradia é, para grande parte da população, o principal patrimônio acumulado ao longo da vida, mas a proteção desse bem nem sempre recebe a mesma prioridade dada a outros compromissos que temos com o nosso dinheiro.
Dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) indicam que o índice de adesão ao seguro residencial no Brasil passou de 13,6%, em 2017, para 17%, em 2021, alcançando cerca de 12,7 milhões de residências seguradas. O avanço é relevante, mas ainda mostra um mercado com grande potencial de expansão.
Essa baixa adesão se torna ainda mais sensível quando observamos a diversidade dos domicílios brasileiros. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 84,8% da população vivia em casas e 12,5% em apartamentos. A diferença entre esses formatos de moradia não é apenas arquitetônica ou de estilo de vida; ela influencia diretamente o tipo de exposição ao risco, as coberturas mais recomendadas e, consequentemente, o custo final do seguro.
É nesse ponto que muitos consumidores se confundem. O preço da apólice não depende apenas de o imóvel ser casa ou apartamento, mas de fatores como localização, características construtivas, valor dos bens, histórico da região, nível de segurança e coberturas contratadas. Em outras palavras, dois imóveis aparentemente semelhantes podem ter custos bastante diferentes se apresentarem perfis de risco distintos.
O que pesa no preço do seguro
A precificação de um seguro residencial parte de uma lógica técnica: quanto maior a exposição ao risco e o valor a ser protegido, maior tende a ser o custo da apólice. Por isso, imóveis localizados em áreas com maior incidência de eventos climáticos podem ter seguros mais caros. Não se trata de uma penalização ao consumidor, mas de uma avaliação objetiva da probabilidade de sinistro e do potencial de indenização.
Nos apartamentos, parte dos riscos é reduzida pela própria estrutura do condomínio. Portaria, controle de entrada, sistemas coletivos de segurança e equipamentos de combate a incêndio, por exemplo, contribuem para diminuir vulnerabilidades. Além disso, o seguro condominial normalmente cobre a estrutura do prédio e as áreas comuns, enquanto o seguro residencial individual protege bens, danos elétricos, responsabilidade civil familiar e outras coberturas específicas contratadas pelo morador.
Ainda assim, a ideia de que apartamento será sempre mais barato é simplista. Um apartamento de alto padrão, com equipamentos eletrônicos sofisticados ou móveis planejados, pode exigir limites de cobertura elevados. Da mesma forma, uma casa em condomínio fechado, com controle de acesso, boa manutenção, sistema de alarme e baixa exposição a eventos climáticos, pode ter um custo bastante competitivo. O que determina o preço final é o conjunto de variáveis envolvidas, como localização, valor dos bens, coberturas escolhidas e limites de indenização.
Como escolher a proteção adequada
A escolha do seguro deve começar pela identificação dos riscos mais prováveis. Em apartamentos, costuma ser recomendável olhar com atenção para danos elétricos, vazamentos, responsabilidade civil por danos a vizinhos, proteção de bens e um pacote de assistência apropriado. Em casas, a análise deve incluir também áreas externas, garagem, placas fotovoltaicas, impacto de veículos e roubo ou furto qualificado.
Outro cuidado importante é não contratar o seguro considerando apenas o valor de mercado do imóvel. O seguro residencial deve considerar, sobretudo, o custo de reconstrução do imóvel e a reposição dos móveis e conteúdo da residência. Em uma casa, o terreno pode representar parcela significativa do preço de venda, mas não deve entrar no cálculo da cobertura como se fosse parte reconstruível. Em um apartamento, o foco pode estar mais nos bens internos, nas benfeitorias realizadas pelo morador e nas responsabilidades perante terceiros. Essa distinção evita tanto a contratação insuficiente quanto o pagamento por uma cobertura mal dimensionada.
Também é essencial revisar o seguro periodicamente, para reavaliar as necessidades da residência e evitar que a apólice fique desatualizada. O seguro residencial precisa acompanhar a vida real do imóvel e de quem vive nele. A melhor decisão, portanto, não é buscar simplesmente o menor preço, mas entender qual cobertura corresponde melhor ao risco concreto daquela moradia. No fim, a apólice mais barata pode ser justamente a mais cara quando o imprevisto deixa de ser hipótese e passa a ser prejuízo.
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