Na manhã desta quinta-feira (18), o Sindicato das Seguradoras de Santa Catarina (SindsegSC) realizou uma visita institucional à Secretaria de Proteção e Defesa Civil de Blumenau, reunindo membros da Diretoria e do Grupo de Trabalho Vale do Itajaí em um encontro voltado à troca de conhecimento, ao fortalecimento da cooperação institucional e à ampliação do diálogo sobre os desafios impostos pelos desastres naturais em Santa Catarina e no município de Blumenau.
O presidente do SindsegSC, João Amato, juntamente com os representantes das seguradoras associadas, foi recebido pelo secretário municipal de Proteção e Defesa Civil, Carlos Olímpio Menestrina, pela meteorologista Emily Ramos e pela equipe.
João Amato destacou a importância da aproximação entre o mercado segurador e os órgãos de proteção e defesa civil. Segundo ele, o compartilhamento de informações e experiências contribui para o desenvolvimento de estratégias mais eficientes de prevenção, proteção e recuperação diante dos eventos climáticos que impactam a sociedade catarinense.
“Há pouco tempo falávamos sobre mudanças climáticas. Hoje falamos em resiliência climática. Não basta mais apenas discutir os impactos; precisamos adotar ações práticas para mitigar riscos, prever cenários e nos prepararmos para o que está acontecendo no mundo, nas nossas regiões e cidades. Por isso, é muito importante estarmos aqui e conhecermos de perto as ações que estão sendo realizadas e planejadas pela Defesa Civil do município”, ressaltou.
Durante a visita, os participantes acompanharam uma apresentação sobre a convergência dos desastres naturais em Santa Catarina, ocorrências como tornados, seca, granizo, trombas-d’água, ciclones, furacões, enxurradas, alagamentos, deslizamentos e o histórico de eventos registrados em Blumenau.
Entre os dados apresentados durante o encontro, destacou-se o histórico de enchentes em Blumenau. Ao longo de seus 175 anos, o município registrou 102 ocorrências desse tipo, evidenciando a importância do planejamento contínuo, do monitoramento permanente e dos investimentos em ações preventivas para minimizar os impactos causados por eventos climáticos extremos.
Durante a apresentação, o secretário Carlos Olímpio Menestrina destacou que as tragédias vivenciadas pelo município ao longo das décadas resultaram em importantes aprendizados, transformados em ações estruturadas voltadas à prevenção, preparação, monitoramento e resposta.
Também foram apresentados projetos educacionais desenvolvidos pela Defesa Civil, demonstrando que a construção de uma sociedade mais resiliente passa pela conscientização e pela formação das futuras gerações.
Ao abordar a contribuição das empresas para a construção de cidades mais resilientes, Menestrina ressaltou a importância da cultura da prevenção e do planejamento estratégico.
“A empresa precisa ter um plano de contingência que considere não apenas os riscos internos, mas também aquilo que acontece fora dela. É necessário saber se os colaboradores serão afetados, a quais perigos estarão sujeitos e quantos poderão não chegar ao trabalho. Se isso acontecer, a empresa precisa ter uma estratégia”, afirmou.
Impactos do fenômeno El Niño
A agenda teve como tema também os impactos do fenômeno El Niño.
A meteorologista Emily Ramos, integrante da equipe da Defesa Civil de Blumenau, destacou que o El Niño não deve ser analisado de maneira isolada.
Segundo ela, a ocorrência de eventos extremos depende da combinação do fenômeno com outros sistemas atmosféricos, além da intensidade, da abrangência e da distribuição das chuvas.
“O El Niño sozinho não é o causador de um desastre. São os outros sistemas e ingredientes presentes na atmosfera que vão dizer se teremos ou não um evento de chuva intensa”, afirmou.
A especialista também alertou para a importância de acompanhar informações divulgadas por órgãos oficiais e fontes técnicas confiáveis, evitando conteúdos alarmistas e sem embasamento que podem gerar desinformação e insegurança na população.
Segundo Emily, as previsões climáticas de longo prazo não permitem determinar com exatidão quando ou onde uma enchente ocorrerá.
“Não existem ferramentas capazes de prever uma enchente com cinco, três ou dois meses de antecedência. Pode ser que tenhamos enchentes, mas também pode ser que não. Por isso, é importante acompanhar as novas rodadas de previsão e verificar se elas vão se manter”, explicou.
O papel do AlertaBlu como referência nacional
Entre as iniciativas apresentadas pela Defesa Civil, ganhou destaque o AlertaBlu, aplicativo oficial da Prefeitura de Blumenau desenvolvido para ampliar o acesso da população a informações e alertas em tempo real sobre eventos hidrológicos, meteorológicos e geológicos.
A ferramenta permite acompanhar o nível do Rio Itajaí-Açu, previsões do tempo, volumes de chuva, alertas meteorológicos e áreas de risco, além de possibilitar o cadastro de residências, empresas e outros locais de interesse para o recebimento de notificações personalizadas em situações de alagamento ou outros eventos adversos.
O sistema também oferece informações sobre rotas de fuga, abrigos, barragens da região e registro de ocorrências, consolidando-se como uma importante ferramenta de prevenção, monitoramento e apoio à tomada de decisão por parte da população, das empresas e dos órgãos de resposta.
Para o presidente do SindsegSC, João Amato, a apresentação do AlertaBlu demonstrou como o uso da tecnologia e da informação qualificada contribui para a redução de vulnerabilidades e para o fortalecimento da cultura de prevenção.
“Para o mercado segurador, iniciativas como essa reforçam a importância da antecipação dos riscos e da adoção de medidas preventivas capazes de minimizar impactos humanos, sociais e econômicos decorrentes de eventos climáticos extremos. E quão importante saber que esta ferramenta de Blumenau se tornou referência nacional na gestão de risco”, afirmou.
O SindsegSC agradeceu ao secretário de Proteção e Defesa Civil de Blumenau, Carlos Olímpio Menestrina, à meteorologista Emily Ramos e à equipe da Defesa Civil pela receptividade e pela oportunidade de compartilhar conhecimentos, experiências e boas práticas relacionadas à gestão de riscos e à prevenção de desastres.
A visita reforçou o compromisso da entidade com o fortalecimento da cultura de gestão de riscos, prevenção e resiliência climática. Para o mercado segurador catarinense, iniciativas como essa contribuem para ampliar o conhecimento sobre os riscos, promover o intercâmbio de informações com especialistas e apoiar o desenvolvimento de estratégias voltadas à mitigação de perdas e à recuperação após eventos adversos.
Mais do que proteger patrimônios, o setor segurador exerce papel relevante na construção de comunidades mais preparadas e resilientes. Nesse contexto, a aproximação entre o mercado de seguros e os órgãos de defesa civil fortalece a capacidade de antecipação, resposta e adaptação aos desafios climáticos cada vez mais presentes na realidade catarinense.
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