A emissão da apólice representa a conclusão da fase de vendas e o começo de um ciclo de amparo para o cliente. Contudo, é na ocorrência do evento coberto que surgem as falhas operacionais e fragilidades que permaneceram ocultas ao longo do processo comercial.
Segundo a advogada Suellen Paranhos, sócia da Ramos Advogados e especialista em seguros, responsabilidade civil e direito empresarial, o maior risco para o negócio nem sempre está na venda da apólice, mas na forma como o contrato foi estruturado para responder quando o evento coberto acontece.
“Muitas seguradoras e corretoras estruturam bem a operação comercial, mas deixam brechas na parte jurídica do contrato. E quando o sinistro acontece, começam os conflitos: interpretação de cláusula, negativa de cobertura, judicialização. Tudo isso gera custo, desgaste e impacto direto no resultado“, afirma.
O tema ganha relevância em um momento em que empresas do setor buscam ampliar eficiência operacional e reduzir despesas relacionadas a disputas judiciais. Embora a atenção normalmente esteja voltada para a expansão comercial e o crescimento da carteira, especialistas alertam que a gestão dos contratos e a prevenção de litígios precisam ocupar espaço semelhante dentro da estratégia.
Para Suellen, o problema ultrapassa o campo jurídico e afeta diretamente a operação das companhias. “Na prática, não é só um problema jurídico. É um problema de operação e de margem do negócio“, destaca.
As divergências quanto ao alcance das garantias acordadas provocam lentidão na liquidação do sinistro, aumento dos custos operacionais e enfraquecimento da confiança. Tais atritos frequentemente culminam em disputas judiciais, gerando reflexos financeiros negativos que comprometem a rentabilidade de toda a operação.
Nesse contexto, a prevenção passa a ser vista como uma ferramenta de gestão. A revisão contratual, a análise das cláusulas e o alinhamento entre a cobertura ofertada e os riscos efetivamente assumidos ajudam a reduzir incertezas e minimizar conflitos futuros.
“Evitar prejuízo em sinistro começa muito antes dele acontecer“, ressalta a advogada. “Se a operação envolve volume relevante de apólices, vale revisar se essa estrutura está realmente bem protegida.“
A avaliação reforça uma tendência no mercado, a segurança jurídica não deve ser acionada apenas quando surge um problema, mas incorporada desde o desenho dos produtos e processos. Afinal, no setor de seguros, a qualidade da proteção oferecida é colocada à prova justamente quando ela precisa funcionar.
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