O mercado brasileiro de seguros pode continuar crescendo nos próximos anos, mas o seu verdadeiro desenvolvimento dependerá diretamente do protagonismo assumido pelos corretores. A avaliação é de Marco Antônio Gonçalves, presidente do Conselho Consultivo da MAG Seguros e do Fórum Mario Petrelli, em entrevista concedida à editora-chefe do JRS, Júlia Senna, durante o 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, no Rio de Janeiro.
Realizado entre os dias 27 e 29 de agosto, no ExpoRio Cidade Nova, o congresso teve como tema central “A nova era da distribuição de seguros no Brasil”. Marco Antonio participou de dois momentos da programação: conduziu, na Sala de Negócios da MAG, a apresentação “O corretor no centro da decisão — Por que a orientação nunca foi tão necessária?” e integrou, como debatedor, o painel “Novos Mercados de PPM e Cooperativas de Seguros”.
Para o executivo, crescimento e desenvolvimento não são necessariamente sinônimos. Enquanto o primeiro pode ser percebido na expansão dos negócios, o segundo depende do avanço da cultura do seguro, da diversificação das carteiras e da capacidade do setor de alcançar uma parcela maior da sociedade.
“O mercado cresce, mas não se desenvolve. Desenvolvimento é cultura do seguro, é organização”, afirmou.
Da venda de produtos à gestão de riscos
Na visão de Marco Antônio, o profissional que pretende permanecer relevante nos próximos dez anos precisará ampliar consideravelmente sua área de atuação. Mais do que comercializar apólices, o corretor deverá assumir o papel de planejador financeiro, gestor de riscos e consultor permanente dos clientes.
Essa mudança está relacionada ao surgimento de novos riscos e também às transformações demográficas. Um dos principais exemplos é a longevidade. Embora viver mais seja uma conquista da sociedade, o aumento da expectativa de vida também amplia a necessidade de renda, proteção financeira, planejamento sucessório e assistência durante diferentes fases da vida.
“O corretor precisa ser hoje um planejador financeiro e um gestor de riscos. Antigamente, o protagonismo acontecia na venda de porta em porta. Agora, acontece por meio de dados, informações e conhecimento”, explicou.
Para Marco Antônio, a enorme quantidade de informações disponível ao consumidor não torna a decisão necessariamente mais fácil. Pelo contrário: diante de contratos, coberturas, exclusões e diferentes modelos de proteção, a orientação profissional se torna ainda mais valiosa.
Nesse cenário, inteligência artificial e novas tecnologias não reduzem a importância do corretor. Elas elevam a régua da profissão. O diferencial estará na capacidade de interpretar dados, compreender o momento de vida do cliente e transformar informações complexas em decisões mais seguras.
Mudanças regulatórias ampliam a responsabilidade
A entrada em vigor da Lei nº 15.040/2024, que estabeleceu novas normas para os contratos de seguro privado, também foi destacada por Marco Antônio como um marco para o setor. A legislação trouxe maior clareza às relações contratuais e reforçou direitos, deveres e responsabilidades dos participantes do mercado.
Outro ponto abordado foi a Lei Complementar nº 213/2025, responsável por estabelecer regras para sociedades cooperativas de seguros e operações de proteção patrimonial mutualista. A norma também permite que o corretor de seguros atue na intermediação de contratos de participação em grupos de proteção patrimonial mutualista.
Segundo o executivo, o novo ambiente aumenta a necessidade de orientação qualificada. Diante de alternativas com estruturas, coberturas, preços e responsabilidades diferentes, caberá ao corretor ajudar o consumidor a compreender exatamente o que está contratando.
Se essa análise já é necessária no seguro de automóvel, torna-se ainda mais relevante em soluções de maior complexidade, como seguros empresariais, rurais e paramétricos.
Seguro de vida representa uma das maiores oportunidades
Durante a entrevista, Marco Antônio Gonçalves também chamou a atenção para o potencial do seguro de pessoas. Embora os seguros de automóvel e saúde ainda concentrem boa parte da demanda espontânea, o seguro de vida oferece um amplo campo para crescimento e diversificação das carteiras.
Dados da Fenaprevi indicam que apenas 18% da população brasileira adulta possui seguro de vida, demonstrando o tamanho do déficit de proteção financeira existente no país.
Para ele, o seguro de automóvel pode funcionar como uma porta de entrada para o relacionamento com o cliente, mas o trabalho do corretor não deve terminar nessa contratação. O profissional precisa conhecer a realidade daquela pessoa, identificar riscos e apresentar soluções capazes de proteger sua renda, sua família e seu patrimônio.
A longevidade volta a ocupar posição central nessa discussão. Com a necessidade de utilizar parte maior do patrimônio para sustentar uma vida mais longa, o seguro de vida também pode integrar estratégias de proteção familiar e planejamento sucessório.
“O corretor não pode perder essa oportunidade. Além da oportunidade comercial, existe uma importância enorme para a sociedade”, ressaltou.
Conhecimento técnico com abordagem humana
Segundo o presidente do Conselho Consultivo da MAG Seguros, a comercialização do seguro de vida exige uma abordagem diferente daquela utilizada nos seguros patrimoniais. É necessário compreender o produto, dominar seus conceitos e, principalmente, saber conversar sobre família, renda, futuro e vulnerabilidade.
“O corretor precisa se humanizar mais. Precisa ter, como eu costumo brincar, mais amor no coração para vender seguro de vida”, afirmou.
Marco Antônio também destacou o papel das seguradoras na capacitação dos profissionais e na ampliação do acesso à proteção. Entre as iniciativas da MAG está a Favela Seguros, criada em parceria com a Favela Holding e apoio da Central Única das Favelas para oferecer soluções acessíveis e desenvolver a cultura do seguro em comunidades e periferias brasileiras.
A mensagem deixada pelo executivo é direta: o futuro da distribuição não pertence ao profissional que apenas apresenta preços e transmite propostas. Pertence ao corretor que conhece o cliente, interpreta riscos, utiliza tecnologia, domina as mudanças regulatórias e consegue transformar informação em orientação.
Na era dos dados e da inteligência artificial, o corretor não perde relevância. Desde que esteja preparado, torna-se ainda mais indispensável.
Crédito foto:
Crédito texto:
Publicado por:
Desde 1999, nos dedicamos a disseminar informação segura, inteligente e de alta qualidade para o mercado de seguros. Nossa missão é ser a voz e a imagem de um setor essencial, que desempenha um papel crucial na proteção e no planejamento das vidas das pessoas.
Com compromisso e credibilidade, trabalhamos para conectar profissionais, empresas e consumidores, promovendo uma compreensão mais ampla e acessível sobre a importância dos seguros. Nosso objetivo é não apenas informar, mas também inspirar e fortalecer a confiança em um mercado que impacta diretamente a segurança e o bem-estar da sociedade.
JRS.Digital
CNPJ – 41769103000106
Endereço:
Av. Diário de Notícias, 200 – 1.406
Cristal, Porto Alegre (RS)
CEP: 90810-080
Telefone:
(51) 98140-0475 | (51) 99314-9970
Conteúdo e pauta:
redacao@jrscomunicacao.com.br
Comercial:
julia@jrscomunicacao.com.br
Desenvolvido por B36 Marketing | Todos os Direitos reservados JRS.DIGITAL