Maratona do JRS destaca potencial da IA para otimizar a rotina dos corretores

Bernardo Ribeiro, cofundador e CMO da Azos, aponta o relacionamento e a confiança como diferenciais da profissão diante do avanço da tecnologia

A inteligência artificial já permite automatizar parte das tarefas operacionais dos corretores de seguros, abrindo espaço para uma atuação mais voltada à conquista de clientes e à construção de relacionamentos. Essa foi a perspectiva apresentada por Bernardo Ribeiro, cofundador e CMO da Azos, no último painel da manhã da 6ª Maratona da Inovação em Seguros do JRS, nesta quinta-feira, 29 de outubro, no Vista Pontal, em Porto Alegre.

Com o tema “O que sobra para o corretor quando a IA faz o resto?”, o executivo chamou a atenção para o tempo dedicado a tarefas operacionais, que, segundo ele, ocupam entre 70% e 80% da rotina dos profissionais e poderiam ser transferidas para a tecnologia.

Durante a apresentação, Ribeiro questionou quantos participantes haviam dedicado mais de dez horas da semana anterior à prospecção de novos clientes. Diante da ausência de respostas afirmativas, destacou o pouco tempo destinado ao crescimento dos negócios.

“Se cada um aqui é uma empresa, essa empresa está gastando menos de 20% do tempo dela dedicado ao crescimento dela”, observou.

Na avaliação do palestrante, ferramentas de inteligência artificial já permitem transferir parte dessas atividades para agentes digitais. Com isso, os profissionais podem se concentrar na geração de negócios. Ribeiro afirmou que essa mudança já ocorre entre aqueles que utilizam as soluções da Azos, especialmente no segmento de seguro de vida.

O executivo também direcionou um recado às seguradoras. Para ele, disponibilizar uma ferramenta de inteligência artificial ao corretor não resolve o problema se os processos internos continuarem lentos e fragmentados. Na avaliação de Ribeiro, a tecnologia precisa acessar, de forma integrada e conforme as permissões de cada usuário, informações de diferentes áreas, como subscrição, sinistros, comissões e financeiro.

Como exemplo, citou a consulta ao andamento de um sinistro, que frequentemente exige contatos com gerentes comerciais e equipes das companhias. Com sistemas integrados, seria possível obter a informação em poucos segundos, sem depender de sucessivas intermediações.

Ribeiro relacionou essa transformação à possibilidade de reduzir as despesas administrativas das seguradoras. Segundo os números apresentados por ele, esses custos representam, em média, cerca de 16% dos valores pagos pelos segurados no segmento de seguro de vida. Com os ganhos de eficiência proporcionados pela inteligência artificial, projeta que esse percentual possa cair para 5%.

A redução de custos, explicou, poderia abrir espaço para diferentes estratégias comerciais, como a diminuição de preços para ampliar a participação no mercado e o aumento do comissionamento dos corretores. A maior eficiência também permitiria oferecer produtos com melhor custo-benefício aos segurados e melhorar as margens das companhias.

“Estou muito otimista com esse futuro, porque a gente vai conseguir entregar produtos melhores para o cliente final”, afirmou.

 

Inteligência artificial na prática

Durante o painel, Ribeiro apresentou cinco agentes de inteligência artificial conectados aos sistemas da Azos, alguns ainda em desenvolvimento. O Copiloto auxilia o corretor em diferentes etapas da jornada, com respostas a dúvidas operacionais, como o enquadramento profissional de um cliente ou questões relacionadas a doenças e coberturas.

A Liz atua na cobrança de mensalidades em atraso, analisando os padrões de pagamento de cada segurado para identificar os casos com menor probabilidade de regularização espontânea. Já o Fred é voltado à subscrição e examina informações das propostas para auxiliar na avaliação dos riscos. O Otto, por sua vez, está em desenvolvimento para apoiar a regulação de sinistros, com atenção à identificação de documentos falsos e possíveis fraudes.

O quinto agente, Salles, também está em desenvolvimento. A proposta é auxiliar na identificação de oportunidades comerciais. A partir de informações básicas sobre a carteira, a ferramenta poderá identificar potenciais clientes para a oferta de seguro de vida, iniciar a abordagem e encaminhar os interessados ao profissional para a conclusão da venda.

Ao retomar a pergunta que deu nome ao painel, Ribeiro defendeu que a inteligência artificial não elimina a importância da atuação humana na corretagem. Para ele, a capacidade de construir vínculos e conquistar a confiança dos clientes permanece essencial, especialmente na comercialização de seguros de vida.

“Aprende a se relacionar e aprende a vender”, resumiu, ao comentar quais habilidades devem permanecer relevantes diante da evolução tecnológica.

O palestrante destacou a complexidade desse processo comercial e a importância do contato pessoal.

“É uma venda baseada na confiança, é uma venda baseada no olho no olho. IA não tem olho no olho”, afirmou, acrescentando que essa dimensão da atividade não será substituída.

Ribeiro também alertou para a necessidade de rever a distribuição do tempo na rotina profissional. Segundo ele, tarefas burocráticas e sucessivas trocas de informações com as seguradoras poderiam ser realizadas por sistemas inteligentes, liberando mais horas para o contato direto com os clientes.

Ao encerrar a apresentação, manifestou a expectativa de que, nos próximos seis meses, mais profissionais consigam dedicar a maior parte da jornada ao atendimento.

“Espero voltar e ver vocês e ter aqui 80% de todos vocês gastando mais do que 80% do tempo sentado com o cliente e não resolvendo os problemas operacionais”, concluiu.

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Guilherme Lopes

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Priscilla Freitas

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