Executivos analisam os desafios de crescer, inovar e desenvolver pessoas no setor de seguros

Maratona JRS reuniu executivos de diferentes segmentos do mercado segurador para discutir os desafios da liderança e o avanço da inteligência artificial

Em um mercado conectado à tecnologia, o desafio de inovar vai além da adoção de novas ferramentas. A capacidade de compreender o consumidor, desenvolver profissionais e transformar estratégias em resultados esteve no centro do painel “Lideranças que estão moldando o futuro do seguro: quem decide hoje o mercado que teremos amanhã?”, realizado nesta quinta-feira, 29 de outubro, durante a 6ª Maratona da Inovação em Seguros do JRS, no Vista Pontal, em Porto Alegre.

A conversa reuniu Fábio Lessa, diretor Comercial da CAPEMISA Seguradora; Vinícius Schroeder, CEO e cofundador da Brick; Milton Machado, CEO da União Seguradora; Rogério Guandalini, diretor Executivo Comercial, Marketing e Produtos da Redion; e Nadine Della Giustina, CEO da ExperMed. A mediação ficou a cargo de Bruno Porte, convidado do JRS.

Durante a introdução ao debate, o mestre de cerimônias Otto Hartmann chamou atenção para a complexidade da atividade seguradora e para as decisões que acompanham o avanço da inteligência artificial.

“Hoje eu atuo com diversos mercados e o mercado de seguros continua sendo um dos mais desafiadores. É complexo vender algo que a pessoa não quer usar. Estamos em um momento muito desafiador”, observou.

Com uma trajetória de quase duas décadas na CAPEMISA, Fábio Lessa destacou a importância de reconhecer o papel humano em um ambiente de mudanças constantes. Para o executivo, embora a tecnologia esteja cada vez mais presente nas operações, são os profissionais que sustentam o desenvolvimento do setor.

“Enquanto nós falamos de mercado tecnológico, no fundo nós falamos de pessoas. São as pessoas que fazem esse mercado crescer, acontecer e existir”, afirmou.

Lessa também abordou os desafios de ampliar a presença do seguro de pessoas na sociedade brasileira. Ao mencionar pesquisas sobre a penetração dessa modalidade, o diretor chamou atenção para a dificuldade de transformar o conhecimento sobre os produtos em uma cultura efetiva de proteção. “Fica claro que não é o produto que resolve. O que vai resolver a evolução do seguro de pessoas na sociedade brasileira é a forma como nós enxergamos o nosso papel nessa sociedade”, destacou.

Segundo ele, cabe aos profissionais ampliar o diálogo com os consumidores, esclarecer dúvidas e demonstrar a importância das coberturas diante de imprevistos.

A adoção de novas tecnologias também ganhou espaço na participação de Vinícius Schroeder, CEO e cofundador da Brick. Filho de corretores de seguros, o executivo compartilhou sua proximidade com o setor e destacou a necessidade de avaliar o propósito de cada inovação antes de incorporá-la aos negócios.

Um dos equívocos das empresas está em utilizar inteligência artificial sem compreender claramente quais dificuldades pretendem solucionar. “A inteligência artificial é mais uma ferramenta, assim como várias outras que a gente já tinha no passado, para resolver determinado problema”, explicou.

Na avaliação do executivo, a tecnologia deve ser aplicada a partir das demandas dos consumidores, evitando investimentos motivados apenas pelo interesse em acompanhar tendências.

“A questão é ter o cliente como norte. Acho que é muito fácil falar isso, difícil é fazer. Muita gente fala sobre cliente-centrismo. O que a gente procura lá na Brick é, em toda decisão que tomamos, nos colocar no lugar do cliente”, ressaltou.

O equilíbrio entre ferramentas digitais e atuação humana também foi abordado por Milton Machado, CEO da União Seguradora. Para ele, a inteligência artificial tende a permanecer nas operações, mas a criatividade e a capacidade de interpretação continuarão fazendo diferença.

“Eu acredito que a inteligência artificial veio para ficar, mas por trás sempre vai ter que haver a mão humana para tocar isso. Se todos nós utilizarmos, dentro da área de seguros, a inteligência artificial para perguntar determinada coisa, todos vão ter mais ou menos a mesma resposta”, observou.

Na visão de Machado, a evolução do setor dependerá da capacidade dos profissionais de utilizar esses recursos de maneira estratégica, sem abrir mão do conhecimento e do relacionamento.

“Nós vamos ter que ter muita criatividade, muita força de vontade para que a gente possa evoluir. Eu acredito muito que temos um mercado em que dá para todos trabalharem”, acrescentou.

Outro ponto discutido foi a transformação dos serviços associados aos seguros. Rogério Guandalini, diretor Executivo Comercial, Marketing e Produtos da Redion, explicou que a atuação das empresas de assistência deixou de estar restrita aos modelos tradicionais.

Segundo ele, a Redion passou a se enxergar como parte de um ecossistema mais amplo, acompanhando diferentes momentos da jornada do segurado.

“A gente aqui internamente nem nos reconhecemos mais como uma empresa de assistência 24 horas. Acho que usar esse termo, que é obviamente bem conhecido no mercado, limita demais a atuação de uma empresa como a nossa hoje. Gostei muito quando você usou o termo ecossistema. É assim que a gente se vê”, afirmou.

O executivo também apresentou números que demonstram a mudança na utilização dos serviços residenciais. Conforme relatou, antes da pandemia, a empresa realizava aproximadamente 15 mil atendimentos mensais nessa modalidade. Atualmente, o volume chega a 60 mil.

“No pré-pandemia, nós executamos, em média, 15 mil serviços residenciais por mês. Esse número hoje é de 60 mil. Todo dia nós atendemos 2 mil clientes de seguros residenciais, fazendo algum tipo de intervenção na casa”, destacou.

Para Guandalini, esse movimento evidencia como as soluções de assistência passaram a ocupar um espaço mais frequente na relação entre seguradoras e consumidores.

Além das inovações tecnológicas, o painel trouxe reflexões sobre gestão, autonomia e os desafios enfrentados por quem ocupa posições de liderança.

Ao conduzir a conversa, Bruno Porte provocou os participantes a pensar sobre o equilíbrio entre metas, resultados e desenvolvimento profissional, especialmente em organizações que precisam tomar decisões diante de cenários em constante transformação.

Nadine Della Giustina, CEO da ExperMed, destacou que liderar equipes especializadas exige confiança no conhecimento técnico dos profissionais e clareza na definição dos objetivos.

“Eu acredito que faz muita diferença quando se lidera pessoas altamente qualificadas, com grande expertise. Essas pessoas precisam muito de contexto e não de ordem. Então, autonomia, mas claro, com responsabilidade”, afirmou.

A executiva também ressaltou a importância de reconhecer as competências dos integrantes da equipe, mesmo quando possuem conhecimentos técnicos mais aprofundados que os próprios gestores.

“Lá na ExperMed, os meus liderados internos, por exemplo, são pessoas que têm mais expertise que eu, tecnicamente, em muitos pontos”, compartilhou.

As diferentes perspectivas apresentadas evidenciaram que a evolução do mercado segurador depende de decisões que combinem inovação, eficiência, desenvolvimento humano e compreensão das necessidades dos clientes.

Entre o avanço da inteligência artificial, as mudanças na oferta de serviços e os desafios de ampliar o acesso à proteção, o debate reforçou que o futuro dos seguros não será definido apenas pelas tecnologias disponíveis, mas também pela maneira como as lideranças escolhem utilizá-las.

Sob o mote “Comunicar é inovar”, a 6ª edição da Maratona da Inovação em Seguros do JRS proporciona uma jornada repleta de palestrantes, debates qualificados e networking para os agentes do setor. As atividades englobam discussões sobre avanço tecnológico, liderança, saúde suplementar, sustentabilidade financeira e a geração de novas frentes de negócios.

A edição conta com o apoio de empresas distribuídas em quatro categorias de patrocínio. Na categoria Diamante, estão Icatu, Rio Grande e CAPEMISA. A categoria Ouro reúne Atuária Brasil, Brick, Bradesco Seguros, Bradesco Saúde, Bradesco Vida e Previdência, Gente Seguradora, Escola de Negócios e Seguros (ENS), Sabemi, Grupo Aspecir e União Seguradora. Entre os patrocinadores Prata, estão Aplicap, Azos, MedSênior, Redion (Europ Assistance Brasil) e TRINCA. Já a categoria Bronze conta com Agensel, Aconseg Sul, Cabergs, ExperMed, GBOEX, Grupo Exalt, GrupoGC, Grupo PróVida, Patzlaff, Pizzolatto Advogados, Ramos Advogados, SGCOR, SOMPO, Usebens, Unnex Group, Zurich e Wiz Corporate.

Crédito foto:

Guilherme Lopes

Crédito texto:

Fernanda Torres

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