Descompasso entre risco e cobertura deixa empresas vulneráveis

Contratações genéricas e falta de revisão ampliam exposição a prejuízos
Bruno Cervi, CEO do grupo REP.

 

Mais de 80% das empresas acreditam estar protegidas contra riscos operacionais, porém grande parte delas enfrenta lacunas relevantes em suas estratégias de proteção. O dado da REP Seguros chama atenção para um problema recorrente no setor: a diferença entre ter um seguro e, de fato, estar adequadamente protegido.

Segundo Bruno Cervi, CEO do grupo REP, esse descompasso começa na forma como as empresas enxergam o próprio conceito de proteção. “Muitas associam proteção apenas à existência de uma apólice, quando, na prática, ela depende da aderência entre o risco da operação e aquilo que foi contratado”, afirma.

Na avaliação do executivo, o erro raramente está isolado na contratação. Ele nasce antes, na falta de compreensão sobre os riscos do negócio. “O seguro é consequência de uma boa leitura de risco. Quando essa etapa não é bem feita, a contratação tende a ser superficial, muitas vezes orientada mais pelo preço do que pela estrutura de proteção”, explica.

Uma abordagem limitada no gerenciamento do risco resulta em coberturas insuficientes, cláusulas desalinhadas com a realidade da empresa e limites defasados — especialmente em organizações que cresceram e mudaram seu perfil de operação ao longo do tempo sem revisar suas apólices.

Quando existe um diagnóstico bem estruturado, o impacto é direto na qualidade das decisões. A empresa consegue entender onde estão suas fragilidades, quais perigos precisam de prioridade e quais impactos podem colocar sua continuidade em risco. Com isso, o processo ajuda a montar estratégias eficientes de prevenção, mitigação e compartilhamento de riscos.

Entre os erros identificados estão o uso de valores desatualizados, a subestimação de riscos operacionais, a falta de personalização nas coberturas e a ausência de revisão periódica. Também é frequente a crença de que qualquer sinistro relevante será automaticamente coberto, sem análise detalhada de exclusões, franquias e limites contratuais.

Para empresas que ainda não adotaram uma abordagem estruturada, o primeiro passo é simples, mas pouco explorado. “É preciso mapear o que pode interromper a operação e gerar perdas relevantes. A partir disso, já é possível estabelecer prioridades e construir uma visão mais estratégica”, orienta.

A gestão de riscos vem ganhando espaço como instrumento de gestão e tomada de decisão. “Empresas que conhecem melhor seus riscos tomam decisões mais consistentes, preservam caixa e aumentam sua capacidade de enfrentar momentos críticos”, conclui.

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Fernanda Torres

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