Construir um seguro rural mais forte exige uma agenda baseada em previsibilidade institucional, integração entre crédito e proteção e inteligência baseada em dados. Essa foi a principal mensagem levada pela Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) ao seminário “Semeando resiliência e prosperidade – O Seguro Rural que o Brasil precisa”, realizado nesta terça-feira (14), em Brasília. O encontro reuniu representantes do governo, do mercado segurador, do agronegócio e da academia para discutir caminhos para ampliar a resiliência da produção agropecuária brasileira.
Representando a FenSeg no painel “A visão de quem opera o seguro rural: quais são as mudanças urgentes“, o vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação, Fábio Damasceno, afirmou que o fortalecimento do seguro rural exige uma estratégia estruturada em três frentes: previsibilidade para as políticas públicas no curto prazo, maior integração entre crédito e seguro no médio prazo e investimentos em inteligência baseada em dados como eixo de transformação do mercado nos próximos anos.
Ao abrir sua apresentação, Damasceno ressaltou que o seguro rural deixou de ser apenas um instrumento financeiro para se tornar uma infraestrutura essencial à sustentabilidade do agronegócio brasileiro, diante do aumento da frequência dos eventos climáticos extremos, da maior volatilidade dos mercados e da crescente necessidade de capital no campo.
No horizonte de curto prazo, o representante da FenSeg defendeu maior estabilidade para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), destacando que a previsibilidade orçamentária é indispensável para que seguradoras, produtores, resseguradores e toda a cadeia produtiva possam planejar suas operações com antecedência. Segundo ele, mais do que discutir o volume de recursos destinados ao programa, é preciso reconhecer que investir previamente na proteção dos produtores é mais eficiente do que financiar sucessivas renegociações de dívidas após as perdas provocadas por eventos climáticos. Nesse contexto, Damasceno destacou os avanços propostos pelo Projeto de Lei nº 2.951/2024, que busca fortalecer a estabilidade institucional do programa de subvenção e conferir maior previsibilidade ao sistema.
Para o médio prazo, Damasceno defendeu maior aproximação entre as políticas de crédito rural e seguro rural, observando que ambos são instrumentos complementares. Segundo ele, ampliar a base de produtores segurados fortalece o mutualismo, melhora a dispersão dos riscos e contribui para a sustentabilidade do mercado, beneficiando produtores, financiadores, governo e todo o sistema de gestão de riscos.
Já na perspectiva de longo prazo, o vice-presidente da Comissão de Seguro Rural apontou a construção de uma infraestrutura nacional de dados como um dos principais desafios para o desenvolvimento do setor. Na avaliação de Damasceno, bases de informações integradas e confiáveis permitirão aprimorar a precificação dos riscos, desenvolver produtos mais aderentes às diferentes realidades regionais, aperfeiçoar o monitoramento climático e tornar mais eficiente a aplicação dos recursos públicos destinados à gestão de riscos no campo.
“Não existe agro forte sem gestão de risco forte. E não existe gestão de risco forte sem um seguro rural acessível, previsível e sustentável“, afirmou.
Ao encerrar sua participação, Damasceno destacou que o futuro do seguro rural ultrapassa o debate sobre orçamento e depende da construção de um ambiente institucional capaz de oferecer previsibilidade, integrar políticas de crédito e proteção e incorporar inteligência baseada em dados para ampliar a resiliência do agronegócio brasileiro.
A FenSeg também foi representada no seminário por seu diretor executivo, Danilo Silveira.
Organizado pela Meridiana, pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), com apoio da CNseg, FenSeg, IRB(Re) e do Instituto de Inovação em Seguros e Resseguros da FGV, o encontro reuniu autoridades e especialistas para debater os desafios e as oportunidades do seguro rural no Brasil. Entre os participantes estiveram a senadora Tereza Cristina, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, o coordenador do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, Pedro Loyola, além de representantes do governo federal, do mercado segurador e de entidades ligadas ao agronegócio. A CNseg também foi representada pela superintendente de Relacionamento com o Poder Executivo, Laíne Meira, e pela superintendente de Relações Institucionais, Marianah Villela. A programação incluiu painéis sobre políticas públicas para gestão de riscos, experiências internacionais e a visão dos operadores do mercado sobre as mudanças necessárias para fortalecer o seguro rural no país.
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