Seguro ainda é distante do público 50+, apesar da crescente demanda por proteção financeira

Envelhecimento da população aumenta os desafios do setor segurador em comunicação
Marcos Ferreira, especialista em longevidade, pós-carreira e mercado de seguros.

 

No Dia Continental do Seguro, celebrado em 14 de maio, o setor volta os olhos a um desafio que segue no mercado: aproximar o seguro de uma população que envelhece, concentra patrimônio e passa a demandar previsibilidade financeira, mas que ainda percebe os produtos securitários como complexos, técnicos e pouco acessíveis.

Apesar de serem um dos grupos que demandam proteção de bens, planejamento financeiro e segurança para a vida pós-carreira, pessoas com mais de 50 anos, segundo especialistas, ainda não são alcançadas de maneira eficaz pela comunicação do setor.

Marcos Ferreira, especialista em longevidade, pós-carreira e mercado de seguros, ressalta que o desafio vai além da oferta de produtos e passa diretamente pela comunicação.

Embora seguradoras e empresas de previdência privada tenham evoluído muito na qualidade da comunicação e interação com os clientes, a indústria ainda se comunica com termos técnicos que podem dificultar o entendimento”, afirma.

Com mais de 30 anos de trajetória no setor, incluindo atuação como CEO Regional LATAM SUR da Mapfre, Marcos destaca que o consumidor 50+ possui características próprias e exige abordagens claras, objetivas e personalizadas.

Segundo ele, um dos erros do mercado é tratar esse público como um grupo homogêneo. “Quando falamos do consumidor 50+, precisamos considerar que as necessidades variam entre os públicos 50+, 60+, 70+ e 80+. É um equívoco não considerar essa subsegmentação”, explica.

 

Mudança de comportamento e estabilidade

O avanço da idade altera significativamente as prioridades financeiras do consumidor. Diferentemente das fases anteriores da vida, marcadas pela formação de patrimônio, criação dos filhos e consolidação profissional, a maturidade amplia a preocupação com estabilidade, saúde e geração de renda futura.

À medida que avançamos na idade, cresce a busca por estabilidade financeira e proteção à saúde, além da preparação para o pós-carreira”, afirma Marcos.

Nesse contexto, o especialista avalia que o setor de seguros precisa evoluir não apenas em produtos, mas também em linguagem, relacionamento e experiência.

O consumidor maduro valoriza clareza, transparência, solução rápida de problemas e argumentos racionais. São pessoas extremamente exigentes pela própria experiência acumulada ao longo da vida”, pontua.

 

Empatia como diferencial competitivo

Para Marcos Ferreira, a comunicação eficaz com esse público depende de um elemento central: empatia.

Sempre digo que o mais importante é ter empatia. É preciso criar canais de comunicação que sejam confortáveis para esse consumidor, sem perder de vista que ele é digital, contemporâneo e valoriza qualidade de vida e segurança”, afirma.

A discussão ganha relevância em um momento em que o mercado amplia debates sobre personalização, experiência do cliente e desenvolvimento de soluções mais aderentes ao envelhecimento da população brasileira.

O cenário também abre espaço a startups e iniciativas que buscam simplificar o acesso ao seguro, tornando o produto mais compreensível e presente no cotidiano dos consumidores seniores.

O contato com o público 50+ deve ser estabelecido a longo prazo para um setor que terá de acompanhar as mudanças demográficas e comportamentais nas próximas décadas.

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Fernanda Torres

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